ARTE E INCLUSÃO
Arte e inclusão marcam sarau em homenagem ao Dia Nacional do Sistema Braille em Imperatriz
Evento promovido pela SEMED deu visibilidade a estudantes com deficiência visual e ao trabalho desenvolvido pelo SIADI
Publicado em: 10/04/2026 por Nayane Brito

O evento contou com as apresentações de estudantes com deficiência visual (Foto: Divulgação/SEDES)
Entre música, poesia e histórias de superação, estudantes com deficiência visual levaram arte ao Tocantins Shopping Center, na última quarta-feira (8), durante um sarau cultural em alusão ao Dia Nacional do Sistema Braille. Promovido pela Secretaria Municipal de Educação de Imperatriz (SEMED), por meio do Setor de Inclusão e Atenção à Diversidade (SIADI), em parceria com o shopping e a Associação dos Deficientes Visuais de Imperatriz (ASDEVI), o evento deu visibilidade às habilidades de alunos que participam dos cursos de Braille do SIADI.
Um dos participantes foi o estudante Vitor Emanuel Santana Silva, que tem baixa visão e frequenta o curso de Braille do SIADI. Ainda em processo de aprendizagem, ele compartilha o motivo que o faz seguir estudando. “Eu ainda estou aprendendo o Braille, mas tenho muito interesse, porque sei que futuramente vou precisar mais, já que a minha visão está diminuindo”, contou.
Para ele, o sistema Braille representa autonomia e novas possibilidades de acesso ao conhecimento.
O evento reuniu alunos da Rede Municipal de Ensino, participantes dos cursos do SIADI, servidores da SEMED, representantes da ASDEVI e frequentadores do shopping. Mais do que uma celebração, o momento foi de reconhecimento das capacidades e do protagonismo das pessoas com deficiência visual.
Durante a programação, o público acompanhou apresentações culturais, música ao vivo, recitação de poesias e sorteios. Entre os destaques, apresentações que evidenciaram a arte e a inclusão contaram com a participação da professora Karlla Giz e alunos do Projeto Tocar. O espaço, na praça de alimentação do shopping, se transformou em um palco de expressão e sensibilidade, aproximou diferentes públicos e reforçou a importância da inclusão.
Para a secretária adjunta de Ensino da SEMED, Raimunda Sá, iniciativas como essa ajudam a ampliar o olhar da sociedade. “É um momento importante para mostrar que esses estudantes têm habilidades, capacidade de aprender e de contribuir. Trazer esse evento para um espaço como o shopping é uma forma de dar visibilidade ao trabalho que é feito e, principalmente, às pessoas”.
A professora Andreia Sousa, que atua no curso de Braille do SIADI, reforça que o sistema continua sendo essencial, mesmo com os avanços tecnológicos. Segundo ela, o Braille garante autonomia na leitura e na escrita, além de contribuir para o processo educacional. “A tecnologia é uma aliada, mas o Braille permite que o aluno tenha independência. No SIADI, trabalhamos com diferentes metodologias, tanto com pessoas com deficiência visual quanto na formação de ledores, preparando profissionais para atuar nesse contexto”.
Além dos cursos de Braille, o Setor de Inclusão e Atenção à Diversidade (SIADI) também oferece formação em tecnologias assistivas e capacitação de ledores, com conteúdos como audiodescrição, técnicas de leitura e adaptação de materiais. A procura, segundo a professora, tem sido crescente.

A história do Sistema Braille
O Dia Nacional do Sistema Braille é celebrado no Brasil em 8 de abril, data que marca o nascimento de José Álvares de Azevedo, primeiro professor cego do país e responsável por introduzir o método no território nacional.
O Brasil foi o primeiro país da América Latina a adotar oficialmente o sistema, com a criação do Imperial Instituto dos Meninos Cegos, no Rio de Janeiro, em 1854. Anos depois, a instituição iniciou a produção de livros em Braille e ampliou o acesso à leitura.
Criado pelo francês Louis Braille, o sistema é baseado em combinações de pontos em relevo que permitem a leitura pelo tato. Reconhecido mundialmente, ele segue como uma ferramenta fundamental para garantir autonomia e acesso à informação a pessoas cegas ou com deficiência visual.
Ao longo do tempo, o método também passou por avanços, como a criação da máquina de escrever em Braille, desenvolvida por Frank H. Hall, que contribuiu para ampliar as possibilidades de aprendizagem.



